27/10/2014

A dormideira e outras saudades

"Dorme, dorme, dormideira e só acorda segunda-feira." Passei parte da minha infância olhando para o chão com o intuito de encontrar uma Mimosa Pudica. Esse é o nome científico daquela simpática plantinha que, ao ser tocada, se fechava por inteira,  graças a um processo de defesa.

Dia desses, voltando do trabalho, eu encontrei algo parecido na rua. Passei o pé na tentativa desesperada de fechar as pequenas folhas. Em vão... Era uma espécie parecida, mas não era a bendita! E me dei conta de que nunca mais me deparei com uma dormideira no caminho... Ou talvez eu ande olhando pouco para o chão. É tanta coisa pra pensar, pra fazer e olhar, que as dormideiras desapareceram.


Poderia colocar a culpa na evolução, "com tanto prédio construído, afinal, como cultivar dormideiras?" Mas acho o que cultivamos pouco mesmo é o ato de estar atento ao que também não importa. Eu aposto que, depois que cresci, uma milhão de dormideiras ainda cruzaram o meu caminho, mas estava ocupada demais pra perceber.


É simples: crianças, durante o processo de crescimento, se importam com as coisas mais banais possíveis. Eu me lembro, quando menor, de ouvir atentamente o que meu avô falava. Não interessava o assunto! Ele falava sobre Brizola e, aos sete anos, eu absorvia tudo aquilo. Tá certo dizer "ok, crianças não têm metade dos nossos compromissos e preocupações", sim, é verdade! Mas também poderiam ter o nosso desinteresse. E não têm! 


Tenho saudades de quando eu observava mais, falava menos. Tenho saudades do meu avô e das dormideiras. As vezes, com toda essa loucura, tenho vontade de que alguém cante pra mim a música que me permita dormir numa sexta e acordar três dias depois, porque esse excesso cansa e aquele tempo não volta mais! 

(por hoje) Maria

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