14/11/2014

Aquele meu amigo maneiro, sabe?

Recebi a ligação de um grande amigo dia desses. Passamos uma eternidade – tipo, 20 minutos. Isso pra mim é uma eternidade! – falando sobre a nossa vida. Acho que por isso eu gosto de manter a amizade com homens... Geralmente eles conduzem a conversa focada no bate volta você/ele versus ele/você! No máximo pinta um assunto sobre a ex (chata toda vida) dele e aí, qualquer mulherzinha, aproveita para dar umas alfinetadas. Apenas.

A maioria das pessoas usa a frase clichê/machista/idiota que vangloria a teoria de que a “amizade entre homem e mulher não existe.” Aqui, meu amigo (literalmente), essa porra existe sim... 

Homens são mais objetivos – e simples, de forma geral. Seu amigo não vai te ligar te convidando para uma 'pool party', mas sim, para aquele churrascão na piscina com as 'barangas' de biquíni. Ainda completam dizendo "manda o teu marido trazer cerveja da boa, porra!". Os meninos também, de forma geral, não se incomodam quando você não pode comparecer no dia do aniversário dele, respondendo a negativa, no máximo, com um "tu é foda! Mas beleza, vou aproveitar e comemorar pegando uma 'mulé'." São menos sentimentais nesse quesito e isso me motiva muitas vezes a deixar de ir ao shopping para tomar uma cerva!

Também é bom ter uma visão masculina quando se quer desabafar sobre um relacionamento. Ao invés de te convidar para partilhar um pote de sorvete assistindo a filmes melancólicos, eles são mais sinceros e é quase inevitável não ouvir "também, tu é chata pra caralho! Fica difícil pro cara...", seguido de bons conselhos sobre a ala masculina.

Por falar em sofrimento amoroso, tem outra coisa que eu admiro nos caras. Quando o relacionamento dele não tá legal e ele decide desabafar sobre o momento "down" (eles também não usam esses termos 'femininos'. 'Viadagem', como dizem) não rodeiam, ao contrário de nós, mulheres. Falam, assumem e resolvem, ali mesmo. Se você ligar dois minutos depois, ele já aboliu a missão 'dor de corno' e já tá ocupando a cabeça com meia dúzia de besteira. Mole, mole. Fácil, fácil. 

Eles sempre vão ter tempo pra você, até porque não fazem as unhas e cabelos, passam menos tempo no shopping e estão sempre disponíveis para tomar uma gelada. Quando engatam um relacionamento é primordial que a garota seja simpática e te admire. É capaz de casar com ela caso se identifiquem e se tornem melhores amigas.

Os - homens - amigos de verdade também são adeptos aquela 'zoação' que as meninas, geralmente, não aguentam. Pra superar, tem que ter jogo de cintura e entrar na dança. Aquela piada do 'Viva São Jorge' quando você apresentar o namorado novo nunca vai sair de moda. Pode apostar. Ser amiga de um cara não é para qualquer uma. Ah, tem uma coisa ótima: eles te permitem ser idiota em tempo integral e todas as bobagens que vocês conversam entre si ficam ali - Quer dizer, em algum momento ele poderá usar esses 'atributos' contra você, mas não por maldade... Só por ser idiota mesmo. 

E assim vai... Mas, de um todo, as meninas não são chatas, mas vamos combinar, "mulher é um bicho complicado" é um clichê/machista/idiota, mas faz todo o sentindo. E eu, histérica, insegura e, por vezes, maluca, só quero ter alguém equilibrado em confiar e que diga "seu trouxa, aquela minha amiga mongol é chata e tem um monte de defeito, mas se fizer com que ela sofra eu te arrebento!"  




13/11/2014

Um milhão de amigos... Ou não!

Com todas essas possibilidades que a web nos trouxe de bandeja, os amigos imaginários foram substituídos pelos ‘colegas virtuais’. E a coisa tá ficando séria! O amigo do meu amigo, que comentou na foto de outro amigo em comum, com uma linha de raciocínio parecida com a minha já é meu amigo. Entendeu?

As relações estão cada vez mais superficiais. Não me assusta, por exemplo, entrar na página de relacionamento daquela menina tímida do colegial, que mal falava, e perceber que está mais para Roberto Carlos, sustentando a ideia de “ter um milhão de amigos”. Clichê. Mas é! Fazer o quê? Mas a minha curiosidade coça, incomoda, mas não se sobrepõe ao meu bom senso (graças a Deus!) e eu consigo me controlar... Mas a vontade que tenho de perguntar quantas daquelas pessoas a visitaram nos últimos três anos... Ah, que vontade! Ou, quem sabe, contabilizar quantas preferiram ligar no dia do aniversário, ao invés de mandar um ‘inbox’ ou escrever publicamente na página... Garanto: daria pra contar nos dedos.

Dia desses pensei em me testar. Decidi fazer uma limpa na minha rede social e, por mais destoado que pareça o meu raciocínio, não consegui, sequer, excluir meia dúzia de ‘desconhecidos’. De verdade! Quando olhava para aquela moça, que adicionei no período da faculdade e que hoje trabalha em uma grande empresa do ramo, materializo uma situação do tipo “ei, estou desempregada! Para onde posso enviar meu currículo?” Já aquele rapaz que adicionei para me conceder uma entrevista, difícil desapegar “vai que preciso dele em outra situação ou talvez para ‘suitar’ a matéria?” E assim vamos deixando, deixando e deixando... E deve ser assim com todo mundo! O slogan ‘Interesses: cada um tem o seu!’ sobressalta as relações.

Vai vendo, amigo, porque você deve contemplar essa categoria ‘interessante’ em muitas situações. Não adianta se autointitular o ‘grande amigo da galera’ porque em uma hora ou em outra sua teoria vai cair por terra. E cuidado, porque dependendo da decepção, você cai junto e o machucado pode ficar feio... 

10/11/2014

Deixa estar...

As mulheres querem se identificar. Não importa com o que. Não importa o momento. Enquanto algumas se anulam da “incrível geração das mulheres chatas”, conforme definiu a colunista da Folha de São Paulo, outras compartilham o texto de outra autora que sustenta a teoria  do “amor muito específico.”

Balela!

Ninguém tem razão, porque ninguém é igual. Generalizar chatice é muito cômodo quando se está com alguém e limitar o sentimento em especificidades é outra tolice. Contenham-se, meninas! A realidade é mais ampla. Conheço solteiras bem resolvidas, bem como conheço outras que, de tão desesperadas, criam namorados imaginários para não ficarem para trás. “Atrás de quem?”, eu me pergunto. Conheço umas e outras que aparentam felicidade constante e que de fato tem relacionamentos felizes. Outras, por comodismo ou medo de não arrumar nada melhor, mantém o convívio com o parceiro. Aliás, tem um monte dessas.

Por isso, nunca me identifiquei com ninguém. Tenho minhas chatices, cultivo as especificidades do meu amor e nem por isso me encaixo em uma coluna. Eita! Me deixa ser o que quiser. Se não der certo com esse, sei me virar sozinha! Dá para ir ao cinema desacompanhada, comer pizza sem dividir, fazer festa do pijama com as amigas regada à tequila. Ah, minha filha: nada melhor que ficar doidona com as amigas trancadas em um quarto, revelando os segredos mas íntimos, inclusive sobre o pinto do seu ex - o que você não pode comentar com o seu namorado atual!

Então, ao invés de manter essa guerrilha, nada mais justo que se concentrar no que você é! O amor acontece, independente de conceitos, independente de colunas, independente do que as pessoas digam.  Pode ser que não aconteça também - e não há nada de errado nisso! Dá para amar os amigos e a família e transar com meia dúzia por aí. Você ama e transa... Quase um namoro, mas em esferas diferentes. 

Espero que você me entenda, mas não se identifique. Porque esse negócio de se reconhecer em meia dúzia de palavras tolas só diminui a capacidade de você exercer o seu melhor papel: ser você mesma, independente do estado civil.  

07/11/2014

Só a metade

Seguindo para encontrar um cliente, já bem perto do local, recebo a ligação de uma colega do trabalho dizendo: "volta! A reuni foi cancelada." Pois é, reuni é reunião. Assim como 'apre' é apresentação, 'acade' é academia e um monte de outras palavras que as pessoas vem cortando pela metade. Como se nossa comunicação, em todas as esferas, fosse muito eficiente. 


Acho que, de forma geral, carregamos uma certa estafa - moral, inclusive - que nos permite poupar alguns aspectos. Até verbalizar está cansando. E, a cada dia que passa, mais econômicos estamos ficando.

Preguiça de viver, talvez? Não. Creio que não seja isso. Mas a possibilidade de viver em exaustão pode ser a causadora. Precisamos nos comunicar a todo momento, pessoalmente e virtualmente. É uma cobrança sem fim. Muita satisfação a dar, muitas tarefas para cumprir... Mas talvez o resultado desse corte de sílabas seja, simplesmente, uma modinha. E daí a gente acaba seguindo. O preocupante é se todo mundo resolver entrar na onda... "Não, por favor! Eu imploro."

Eu me recuso a receber um "eu te amo" pela metade, ou "sinto sua falta" resumido apenas na última palavra. Imagina ter que epilogar a prosa com o seu melhor amigo, pois vocês precisam ganhar tempo para ter mais tempo de ser apenas 50%? Ainda não estou nessa 'vibe.'  Quero palavras completas, pessoas completas... De rasa, já basta a ideia de que a vida pode terminar logo ali. Preciso mergulhar ainda mais fundo e não dá para submergir na vida do tronco pra baixo. Ou é por inteiro, ou não é! 

06/11/2014

Beirando a normalidade

Dia desses rolou um happy hour no trabalho. Mesmo não querendo estar lá, algumas vezes não dá para fugir dessas ‘obrigatoriedades’ da vida adulta: até quando não é um compromisso, nós temos compromisso. Enfim... Mas de um todo, não foi ruim. Demos risadas dos clientes, falamos sobre nossos projetos, perspectivas e, claro, da vida pessoal. Não há como fugir!

As mulheres com filhos falavam das peripécias infantis. Alguns homens faziam piadas com as sogras. Os recém-casados contavam sobre as novidades. E eu? Eu só estava de espectadora. Vez ou outra lançava um comentário, mas em geral eu só queria ouvir. Eram, praticamente, divididos em dois grupos: os muito satisfeitos e os extremamente insatisfeitos. Não, não tem meio termo!
Algumas pessoas reclamavam muito de tudo: mulher que pega no pé, homem que não ajuda em casa, sobrava até para a diarista que não tirava o limo do box. Também tinha o outro extremo: as moças que viviam contos de fadas, homens que ostentavam gostosas e transavam todos os dias e até aquela típica família ‘Doriana’, tão feliz a ponto de irritar, foi resgatada do comercial. Conclusão! Ninguém beirava a normalidade.

 Ninguém brigava de vez em quando e fazia as pazes depois. Nenhum casal, mesmo com mais de 20 anos de casamento, havia ficado uma semana sem transar – e mesmo assim estar tudo bem – porque tiveram dias cansativos. Ninguém nunca tirou o telefone do gancho para não receber visitas no domingo. Nem mulheres e nem homens desejaram estar longe um do outro e de qualquer outra pessoa por algumas horas para refletir sobre a vida. Ninguém nunca desejou despachar as crianças na casa da mãe para ter uma tarde ‘relax.’ Nenhum deles havia desmarcado um compromisso qualquer para ir ao cinema inesperadamente com o amado (a). Não juntaram economias e programaram uma viagem de acordo com as promoções do site de compras coletivas. Nenhum plano frustrou. 

Voltando para casa, decidi repensar sobre a minha vida e cheguei a conclusão do quão normal ela se tronara. Que bom!

Talvez aquelas pessoas nem vivam intensamente tudo aquilo, mas a necessidade se sobrepor positivamente ou negativamente ao outro grita. E, sinceramente, isso me incomoda. Detesto disputas inúteis. Parece que ninguém deseja ser comum, sem aqueles exageros afim de compor um personagem. Acho que é por isso que evito esse tipo de encontro. As vezes tenho até um pouco de preguiça! Contudo, as vezes é interessante ouvir o que o outro tem a te dizer, nem que isso sirva para te lembrar que viver em função das aparências é tão desinteressante quanto um happy hour em plena segunda-feira e que a ressaca moral é inevitável.