14/01/2015

Eu só quero me mexer!

Não há coisa pior nessa vida do que servir de referência. “Sabe a Fulana, que era amiga daquela gordinha no colegial?” ou “Ciclano tem três irmãs, mas estou falando daquela gostosa, que malha sem parar!” E não há como fugir. Vez ou outra farão alguma insinuação utilizando nossos atributos físicos como referência. Uó!

Ah, mas também não nos façamos de vítimas desse processo doloroso. Também utilizamos deste artifício para identificar X ou Y durante uma conversa com as amigas. E não pegamos leve, diga-se de passagem. Vai desde “o mixaria” até o “bem dotado do bairro.”
O fato é que toda essa forma de estabelecer parâmetros entre um e outro vem enlouquecendo as pessoas. E vamos combinar que é muito mais interessante servir como sinônimo de boazuda ao invés de ouvir adjetivos pra lá de pejorativos acerca da sua forma rechonchuda. Não podemos negar!

Tem muita gente levando isso a sério. Basta dar um ‘google’ utilizando as hashtags #fitness, #progress, #gymtime entre outras pra chegar a conclusão de que a mulherada vive para se afastar, ao máximo, dos estereótipos que giram em torno dos quilos extras.  Ok! Saúde e estética. Belas estratégias. 

Mas, entre uma pesquisa e outra, você espera ver corpos suados e um pessoal normal, com uma barriguinha saliente, cabelos esvoaçados e aquela camisa do deputado estadual da penúltima eleição, dando um duro danado na esteira. Nã-nã-ni-nã-não! Em geral, as garotas estão maquiadas, magras, com uma roupa supertransada e o mesmo penteado que você usou no casamento daquela parente distante semana passada. E aí eu pergunto? Cadê o estímulo para enfrentar a academia – e as leoas que frequentam o ambiente?

Pois está bem aqui. Nesse vídeo. 
Mexa-se! 



13/01/2015

Inveja do quê mesmo, que eu não sei?

Como disse um colega do trabalho dia desses, "eu sempre quis deletar a minha conta no Facebook, mas não procuro um real motivo que me leve a sair." É. Mais ou menos assim. Mas isso não me tira o direito de estar de saco cheio de algumas coisas. Aquelas pessoas que não conheço, vou lá e excluo. As páginas que não curto, o 'descurtir' resolve. Ponto. Mas aí tem aquelazinha que faz parte da família e "fica feio excluir, minha filha", como diz a minha mãe. Pois bem. Acabam ficando.E ficando...

Tem uma coisa que realmente me faz perder as estribeiras. Sabe aquela frase de 'parachoque' onde diz "a sua inveja é a velocidade do meu sucesso?" Eu não sei bem se é uma doença ou falta de amor próprio, mas a rede está infestada de pessoas que se julgam boas o suficiente a ponto de sustentarem o títudo de "todos me invejam." Tenha dó!

É uma maluquice sem fim. A pessoa desenvolve uma mania de perseguição que a corrói e mantém estagnada, ali, inerte em uma tentativa frustrada de sobreviver em uma redoma de vidro. "E por que alguém te invejaria?" meu dedo coça para perguntar. Mas a política da boa vizinhança, carregada por uma avalanche de bom senso pisa no freio. E eu paro.

É inveja de relacionamento, de emprego, do corpo, da cultura, das viagens... Um ciclo vicioso onde tudo o que se conquista está no centro do furacão, podendo ter um fura olho à postos a qualquer momento para acabar com a vida dessa pobre alma.

Acontece que enquanto essa pessoa se frustra e se esconde, tudo certo! Mas chega um ponto em que ela não consegue sustentar "tanto olho grande" e dispara a fúria em cima de outras pessoas que, até então, não davam a mínima para a sua existência. Acho que no fundo é isso... É uma 'chamada' de atenção, é tentar mostrar-se bom em alguma coisa, é simplesmente tentar ser até perder o tino. E as pessoas vão se afastando, se distanciando, com receio de que o 'invejado' sinta-se ofendido com elogios ou com o simples fato de você existir.

É uma pena, mas uma hora não sobrar mais ninguém para 'querer ter o que você tem' ou apenas para 'admirar o que você conquistou'. Acaba. Se acaba. E a única pessoa que vai disputar o 'seu lugar ao sol' é você mesmo. Sozinho, apenas com o que sobrar de uma vida amarga que você tanto lutou para construir.

16/12/2014

Encontro de sorte

A caminho do trabalho, sentada no cantinho do ônibus, observei um senhor entrar com duas bolsas nas mãos. Pareciam muito pesadas. Ele se ajeitou em frente ao meu banco, mas de costas pra mim. Pedi a moça ao meu lado para que o cutucasse e ofereci o meu lugar. Ele logo aceitou.

Ao me levantar, o ajudei com as bolsas. Conforme eu havia observado tamanho seu esforço, estavam realmente muito pesadas. Enquanto ele se acomodava no banco, eu relutava para manter o equilíbrio nas curvas enquanto sustentava aqueles quilos extras, além do meu sobrepeso. Finalmente encontramos uma solução e cada coisa – e pessoa – em seu lugar. Ele abriu um largo sorriso e me disse: estou indo trabalhar.
Aos 78 anos, como ele me contou, todos os dias enfrenta o coletivo cheio para garantir um extra, além de sua aposentadoria. Ele não enxerga direito e, sua baixa estatura e pouco peso, denunciam saúde frágil. Mas eu não poderia imaginar a aula de amor e educação que me daria em pouco mais de 15 minutos de companhia.

“Eu amo viver. Sabe, eu não tenho religião, mas tenho um contato direto com Deus. É minha única devoção, mas apesar de amá-lo demais, eu não quero ir agora, ainda preciso ficar um pouco mais. Como eu gosto disso aqui.” Um nó na minha garganta seria o suficiente para me calar, mas eu não me contive e respondi: “que bonito o seu amor pela vida.”

Eu não sei se ele tem filhos, amigos próximos, se é realmente bom como demonstrou ou se é cercado por pessoas que o amam o suficiente, mas eu me apaixonei por cada expressão esboçada e cada palavra dita. Uma ternura! Eu só queria ter a oportunidade de encontrá-lo outras vezes, mas sabe como são essas coisas, há mais desencontros que surpresas realmente agradáveis como esta.

Hoje eu acordei bem, fiz um carinho no meu marido antes de sair de casa e enquanto ele ainda dormia, conversei com um amigo por telefone, falei com a minha família por mensagem e estava de bom humor. Mas chegou esse senhor e elevou todos os meus bons sentimentos numa potência máxima e me fez decidir que nada poderia estragar o meu dia e que é preciso se sacrificar para se manter vivo, não em matéria, mas na alma.

O fato é que a conversa me fez muito bem. Ele me disse que tenta aconselhar alguns jovens, que às vezes não lhe dão ouvidos, mas “sigo fazendo o meu papel”, avisou. Eu ofereci os meus ouvidos pra ele, tão inteira... Tão carente de positividade.

Chegou a hora de descer e eu me despedi. “Obrigado pelo assento!” ele me disse, não hesitei e respondi “obrigada pela lição”. Ele retrucou “eu quem agradeço por você ter pedido o seu tempo ouvindo minha prosa”, “eu não perdi nada com o senhor, não! Eu só ganhei.” E segui, para mais um dia de trabalho.  

Olhei para as bolsas pesadas e reavaliei muita coisa... Os fardos que fazem com que os ombros doam podem parecer mais leves da maneira de como você os carrega, como ele carrega as ferramentas sustentadas pela alegria de ter um trabalho e se sentir útil. No meio do caminho, de tanto que ele falou em Deus, eu não poderia deixar de agradecê-lo por esse anjo em forma de gente ter cruzado o meu caminho, me fazendo acreditar que todos os dias é possível se transformar em alguém melhor. Eu espero que, em breve, esse vovozinho simpático, de sorriso largo, cruze o seu caminho também e te transforme, porque aquela velha história do copo meio cheio e meio vazio é só uma questão de ponto de vista. 

14/11/2014

Aquele meu amigo maneiro, sabe?

Recebi a ligação de um grande amigo dia desses. Passamos uma eternidade – tipo, 20 minutos. Isso pra mim é uma eternidade! – falando sobre a nossa vida. Acho que por isso eu gosto de manter a amizade com homens... Geralmente eles conduzem a conversa focada no bate volta você/ele versus ele/você! No máximo pinta um assunto sobre a ex (chata toda vida) dele e aí, qualquer mulherzinha, aproveita para dar umas alfinetadas. Apenas.

A maioria das pessoas usa a frase clichê/machista/idiota que vangloria a teoria de que a “amizade entre homem e mulher não existe.” Aqui, meu amigo (literalmente), essa porra existe sim... 

Homens são mais objetivos – e simples, de forma geral. Seu amigo não vai te ligar te convidando para uma 'pool party', mas sim, para aquele churrascão na piscina com as 'barangas' de biquíni. Ainda completam dizendo "manda o teu marido trazer cerveja da boa, porra!". Os meninos também, de forma geral, não se incomodam quando você não pode comparecer no dia do aniversário dele, respondendo a negativa, no máximo, com um "tu é foda! Mas beleza, vou aproveitar e comemorar pegando uma 'mulé'." São menos sentimentais nesse quesito e isso me motiva muitas vezes a deixar de ir ao shopping para tomar uma cerva!

Também é bom ter uma visão masculina quando se quer desabafar sobre um relacionamento. Ao invés de te convidar para partilhar um pote de sorvete assistindo a filmes melancólicos, eles são mais sinceros e é quase inevitável não ouvir "também, tu é chata pra caralho! Fica difícil pro cara...", seguido de bons conselhos sobre a ala masculina.

Por falar em sofrimento amoroso, tem outra coisa que eu admiro nos caras. Quando o relacionamento dele não tá legal e ele decide desabafar sobre o momento "down" (eles também não usam esses termos 'femininos'. 'Viadagem', como dizem) não rodeiam, ao contrário de nós, mulheres. Falam, assumem e resolvem, ali mesmo. Se você ligar dois minutos depois, ele já aboliu a missão 'dor de corno' e já tá ocupando a cabeça com meia dúzia de besteira. Mole, mole. Fácil, fácil. 

Eles sempre vão ter tempo pra você, até porque não fazem as unhas e cabelos, passam menos tempo no shopping e estão sempre disponíveis para tomar uma gelada. Quando engatam um relacionamento é primordial que a garota seja simpática e te admire. É capaz de casar com ela caso se identifiquem e se tornem melhores amigas.

Os - homens - amigos de verdade também são adeptos aquela 'zoação' que as meninas, geralmente, não aguentam. Pra superar, tem que ter jogo de cintura e entrar na dança. Aquela piada do 'Viva São Jorge' quando você apresentar o namorado novo nunca vai sair de moda. Pode apostar. Ser amiga de um cara não é para qualquer uma. Ah, tem uma coisa ótima: eles te permitem ser idiota em tempo integral e todas as bobagens que vocês conversam entre si ficam ali - Quer dizer, em algum momento ele poderá usar esses 'atributos' contra você, mas não por maldade... Só por ser idiota mesmo. 

E assim vai... Mas, de um todo, as meninas não são chatas, mas vamos combinar, "mulher é um bicho complicado" é um clichê/machista/idiota, mas faz todo o sentindo. E eu, histérica, insegura e, por vezes, maluca, só quero ter alguém equilibrado em confiar e que diga "seu trouxa, aquela minha amiga mongol é chata e tem um monte de defeito, mas se fizer com que ela sofra eu te arrebento!"  




13/11/2014

Um milhão de amigos... Ou não!

Com todas essas possibilidades que a web nos trouxe de bandeja, os amigos imaginários foram substituídos pelos ‘colegas virtuais’. E a coisa tá ficando séria! O amigo do meu amigo, que comentou na foto de outro amigo em comum, com uma linha de raciocínio parecida com a minha já é meu amigo. Entendeu?

As relações estão cada vez mais superficiais. Não me assusta, por exemplo, entrar na página de relacionamento daquela menina tímida do colegial, que mal falava, e perceber que está mais para Roberto Carlos, sustentando a ideia de “ter um milhão de amigos”. Clichê. Mas é! Fazer o quê? Mas a minha curiosidade coça, incomoda, mas não se sobrepõe ao meu bom senso (graças a Deus!) e eu consigo me controlar... Mas a vontade que tenho de perguntar quantas daquelas pessoas a visitaram nos últimos três anos... Ah, que vontade! Ou, quem sabe, contabilizar quantas preferiram ligar no dia do aniversário, ao invés de mandar um ‘inbox’ ou escrever publicamente na página... Garanto: daria pra contar nos dedos.

Dia desses pensei em me testar. Decidi fazer uma limpa na minha rede social e, por mais destoado que pareça o meu raciocínio, não consegui, sequer, excluir meia dúzia de ‘desconhecidos’. De verdade! Quando olhava para aquela moça, que adicionei no período da faculdade e que hoje trabalha em uma grande empresa do ramo, materializo uma situação do tipo “ei, estou desempregada! Para onde posso enviar meu currículo?” Já aquele rapaz que adicionei para me conceder uma entrevista, difícil desapegar “vai que preciso dele em outra situação ou talvez para ‘suitar’ a matéria?” E assim vamos deixando, deixando e deixando... E deve ser assim com todo mundo! O slogan ‘Interesses: cada um tem o seu!’ sobressalta as relações.

Vai vendo, amigo, porque você deve contemplar essa categoria ‘interessante’ em muitas situações. Não adianta se autointitular o ‘grande amigo da galera’ porque em uma hora ou em outra sua teoria vai cair por terra. E cuidado, porque dependendo da decepção, você cai junto e o machucado pode ficar feio... 

10/11/2014

Deixa estar...

As mulheres querem se identificar. Não importa com o que. Não importa o momento. Enquanto algumas se anulam da “incrível geração das mulheres chatas”, conforme definiu a colunista da Folha de São Paulo, outras compartilham o texto de outra autora que sustenta a teoria  do “amor muito específico.”

Balela!

Ninguém tem razão, porque ninguém é igual. Generalizar chatice é muito cômodo quando se está com alguém e limitar o sentimento em especificidades é outra tolice. Contenham-se, meninas! A realidade é mais ampla. Conheço solteiras bem resolvidas, bem como conheço outras que, de tão desesperadas, criam namorados imaginários para não ficarem para trás. “Atrás de quem?”, eu me pergunto. Conheço umas e outras que aparentam felicidade constante e que de fato tem relacionamentos felizes. Outras, por comodismo ou medo de não arrumar nada melhor, mantém o convívio com o parceiro. Aliás, tem um monte dessas.

Por isso, nunca me identifiquei com ninguém. Tenho minhas chatices, cultivo as especificidades do meu amor e nem por isso me encaixo em uma coluna. Eita! Me deixa ser o que quiser. Se não der certo com esse, sei me virar sozinha! Dá para ir ao cinema desacompanhada, comer pizza sem dividir, fazer festa do pijama com as amigas regada à tequila. Ah, minha filha: nada melhor que ficar doidona com as amigas trancadas em um quarto, revelando os segredos mas íntimos, inclusive sobre o pinto do seu ex - o que você não pode comentar com o seu namorado atual!

Então, ao invés de manter essa guerrilha, nada mais justo que se concentrar no que você é! O amor acontece, independente de conceitos, independente de colunas, independente do que as pessoas digam.  Pode ser que não aconteça também - e não há nada de errado nisso! Dá para amar os amigos e a família e transar com meia dúzia por aí. Você ama e transa... Quase um namoro, mas em esferas diferentes. 

Espero que você me entenda, mas não se identifique. Porque esse negócio de se reconhecer em meia dúzia de palavras tolas só diminui a capacidade de você exercer o seu melhor papel: ser você mesma, independente do estado civil.  

07/11/2014

Só a metade

Seguindo para encontrar um cliente, já bem perto do local, recebo a ligação de uma colega do trabalho dizendo: "volta! A reuni foi cancelada." Pois é, reuni é reunião. Assim como 'apre' é apresentação, 'acade' é academia e um monte de outras palavras que as pessoas vem cortando pela metade. Como se nossa comunicação, em todas as esferas, fosse muito eficiente. 


Acho que, de forma geral, carregamos uma certa estafa - moral, inclusive - que nos permite poupar alguns aspectos. Até verbalizar está cansando. E, a cada dia que passa, mais econômicos estamos ficando.

Preguiça de viver, talvez? Não. Creio que não seja isso. Mas a possibilidade de viver em exaustão pode ser a causadora. Precisamos nos comunicar a todo momento, pessoalmente e virtualmente. É uma cobrança sem fim. Muita satisfação a dar, muitas tarefas para cumprir... Mas talvez o resultado desse corte de sílabas seja, simplesmente, uma modinha. E daí a gente acaba seguindo. O preocupante é se todo mundo resolver entrar na onda... "Não, por favor! Eu imploro."

Eu me recuso a receber um "eu te amo" pela metade, ou "sinto sua falta" resumido apenas na última palavra. Imagina ter que epilogar a prosa com o seu melhor amigo, pois vocês precisam ganhar tempo para ter mais tempo de ser apenas 50%? Ainda não estou nessa 'vibe.'  Quero palavras completas, pessoas completas... De rasa, já basta a ideia de que a vida pode terminar logo ali. Preciso mergulhar ainda mais fundo e não dá para submergir na vida do tronco pra baixo. Ou é por inteiro, ou não é!