Dia desses rolou um happy hour no trabalho. Mesmo não querendo estar lá, algumas vezes não dá para fugir dessas ‘obrigatoriedades’ da vida adulta: até quando não é um compromisso, nós temos compromisso. Enfim... Mas de um todo, não foi ruim. Demos risadas dos clientes, falamos sobre nossos projetos, perspectivas e, claro, da vida pessoal. Não há como fugir!
As mulheres com filhos falavam das peripécias infantis. Alguns homens faziam piadas com as sogras. Os recém-casados contavam sobre as novidades. E eu? Eu só estava de espectadora. Vez ou outra lançava um comentário, mas em geral eu só queria ouvir. Eram, praticamente, divididos em dois grupos: os muito satisfeitos e os extremamente insatisfeitos. Não, não tem meio termo!
Algumas pessoas reclamavam muito de tudo: mulher que pega no pé, homem que não ajuda em casa, sobrava até para a diarista que não tirava o limo do box. Também tinha o outro extremo: as moças que viviam contos de fadas, homens que ostentavam gostosas e transavam todos os dias e até aquela típica família ‘Doriana’, tão feliz a ponto de irritar, foi resgatada do comercial. Conclusão! Ninguém beirava a normalidade.
Ninguém brigava de vez em quando e fazia as pazes depois. Nenhum casal, mesmo com mais de 20 anos de casamento, havia ficado uma semana sem transar – e mesmo assim estar tudo bem – porque tiveram dias cansativos. Ninguém nunca tirou o telefone do gancho para não receber visitas no domingo. Nem mulheres e nem homens desejaram estar longe um do outro e de qualquer outra pessoa por algumas horas para refletir sobre a vida. Ninguém nunca desejou despachar as crianças na casa da mãe para ter uma tarde ‘relax.’ Nenhum deles havia desmarcado um compromisso qualquer para ir ao cinema inesperadamente com o amado (a). Não juntaram economias e programaram uma viagem de acordo com as promoções do site de compras coletivas. Nenhum plano frustrou.
Voltando para casa, decidi repensar sobre a minha vida e cheguei a conclusão do quão normal ela se tronara. Que bom!
Talvez aquelas pessoas nem vivam intensamente tudo aquilo, mas a necessidade se sobrepor positivamente ou negativamente ao outro grita. E, sinceramente, isso me incomoda. Detesto disputas inúteis. Parece que ninguém deseja ser comum, sem aqueles exageros afim de compor um personagem. Acho que é por isso que evito esse tipo de encontro. As vezes tenho até um pouco de preguiça! Contudo, as vezes é interessante ouvir o que o outro tem a te dizer, nem que isso sirva para te lembrar que viver em função das aparências é tão desinteressante quanto um happy hour em plena segunda-feira e que a ressaca moral é inevitável.

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