07/11/2014

Só a metade

Seguindo para encontrar um cliente, já bem perto do local, recebo a ligação de uma colega do trabalho dizendo: "volta! A reuni foi cancelada." Pois é, reuni é reunião. Assim como 'apre' é apresentação, 'acade' é academia e um monte de outras palavras que as pessoas vem cortando pela metade. Como se nossa comunicação, em todas as esferas, fosse muito eficiente. 


Acho que, de forma geral, carregamos uma certa estafa - moral, inclusive - que nos permite poupar alguns aspectos. Até verbalizar está cansando. E, a cada dia que passa, mais econômicos estamos ficando.

Preguiça de viver, talvez? Não. Creio que não seja isso. Mas a possibilidade de viver em exaustão pode ser a causadora. Precisamos nos comunicar a todo momento, pessoalmente e virtualmente. É uma cobrança sem fim. Muita satisfação a dar, muitas tarefas para cumprir... Mas talvez o resultado desse corte de sílabas seja, simplesmente, uma modinha. E daí a gente acaba seguindo. O preocupante é se todo mundo resolver entrar na onda... "Não, por favor! Eu imploro."

Eu me recuso a receber um "eu te amo" pela metade, ou "sinto sua falta" resumido apenas na última palavra. Imagina ter que epilogar a prosa com o seu melhor amigo, pois vocês precisam ganhar tempo para ter mais tempo de ser apenas 50%? Ainda não estou nessa 'vibe.'  Quero palavras completas, pessoas completas... De rasa, já basta a ideia de que a vida pode terminar logo ali. Preciso mergulhar ainda mais fundo e não dá para submergir na vida do tronco pra baixo. Ou é por inteiro, ou não é! 

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